Bolsonaro diz que pode “morrer na prisão” e compara STF com “câmara de gás”
Ex-presidente enfrenta denúncia por tentativa de golpe
BRASIL – Em uma entrevista ao jornalista Leo Dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez declarações contundentes sobre o processo que o acusa de liderar uma tentativa de golpe de Estado. Ele afirmou que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por julgar o caso, é conhecida como “câmara de gás” e que, nas condições atuais, acredita ser condenado. “Entrou ali…”, disse Bolsonaro, referindo-se à turma composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.
Questionado sobre a possibilidade de ser condenado, o ex-presidente respondeu: “Hoje em dia, sim, mas tem um tempo pela frente ainda”. Ele também afirmou que, se for condenado por todos os crimes de que é acusado, com penas que podem somar mais de 40 anos, pode morrer na prisão. “Quarenta anos, não. Morrer na cadeia. Eu não vou viver mais [do que isso]”, declarou, acrescentando que acredita que “para algumas pessoas importantes, não interessa eu preso, interessa eu morto”.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada em 19 de fevereiro, acusa Bolsonaro de crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio da União e participação em organização criminosa. As penas máximas somadas chegam a 43 anos de prisão, além da possibilidade de inelegibilidade por mais tempo do que os oito anos aos quais foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023.
Bolsonaro também criticou o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, acusando-o de ter “torturado psicologicamente” seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, durante depoimentos. Cid firmou um acordo de delação premiada, e seu depoimento foi um dos pilares da denúncia da PGR. O ex-presidente ainda comparou seu caso à Operação Lava Jato, afirmando que “no meu caso tem dez vezes mais nulidades”.
Defesa e críticas aos atos de 8 de janeiro
Durante a entrevista, Bolsonaro voltou a negar as acusações de tentativa de golpe e minimizou sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. Ele afirmou, sem apresentar provas, que o ataque “foi programado pela esquerda”. O ex-presidente também minimizou a relevância de áudios extraídos de celulares de acusados na trama golpista, questionando: “Tem algum áudio comigo?”.
Questionado sobre a possibilidade de sua esposa, Michelle Bolsonaro, se candidatar à Presidência em 2026, o ex-presidente afirmou que ela não tem interesse, mas já aceitou concorrer ao Senado. Sobre o papel de “primeiro cavalheiro”, Bolsonaro brincou: “Não vai cair bem esse papo de cavalheiro para mim”. Ele também admitiu que Michelle não tem uma boa relação com o filho Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, citando “ciúme” e “problemas do passado” como possíveis motivos.
Bolsonaro ainda comentou sobre outros nomes da direita, como o cantor Gusttavo Lima e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Sobre Ferreira, disse que o parlamentar precisa “saber a hora certa dele” e evitar que “a fama suba à cabeça”.
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